A inércia e o ativismo

ARTIGOS
A inércia e o ativismo
103

Views

Muitos dos nossos erros estão relacionados a atitudes extremas. Enquanto algumas pessoas são preguiçosas, outras são excessivamente ativas. Um vive paralisado, enquanto o outro não para jamais.

Não podemos usar a fé como desculpa para a inércia ou para a omissão. Deus não fará aquilo que for da nossa responsabilidade. A oração é importante e necessária, mas não substitui a ação adequada.

Diante do mar Vermelho, Deus disse a Moisés: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem” (Êx 14.15).

A palavra de Deus nos fala sobre o valor da ação e do trabalho. Entretanto, ela também nos ensina sobre o descanso e a nossa dependência de Deus, sabendo que há um tempo adequado para cada propósito (Ec 3).

Os israelitas podiam e deviam marchar. Contudo, não poderiam abrir o mar nem destruir o exército inimigo.

Devemos semear, mas não nos compete fazer nascer e crescer a planta.

A preguiça é um erro, mas é também errado pensar que tudo se resolverá pelo nosso trabalho, esforço e capacidade. Esta seria uma atitude humanista e incrédula.

Esse tipo de erro é levado, muitas vezes, para a espiritualidade, o que faz com que muitos acreditem que serão salvos pelas obras. Paulo ensinou aos efésios que a salvação vem pela graça de Deus (Ef.2.8-10).

O mesmo texto motiva os salvos à prática das boas obras. O que não adianta é “fazer” sem “ser”.

Muito tempo depois, uma nova carta foi escrita àquela igreja, em que se lê: “Conheço as tuas obras e o teu trabalho… Trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor” (Ap 2.2-4).

Uma frase comum a todas as cartas do Apocalipse é esta: “Conheço as tuas obras”. Aquelas comunidades eram muito ativas. Apesar disso, havia entre elas muitos problemas e pecados. Ativismo sem santificação pode ser algo inútil e perigoso. Obras sem amor perdem sua razão de ser. Assim também é a oração sem fé, a doação sem generosidade e o agradecimento sem gratidão. Muitas “boas obras” são feitas com motivações erradas. A caridade que se faz para o benefício próprio, não seria apenas um disfarce para o egoísmo? O trabalho cristão não pode ser mecânico, mas a viva manifestação do Espírito Santo em nós.

Jesus Cristo poderia ter pregado o evangelho e feito milagres durante os 33 anos que viveu aqui na terra. Entretanto, não foi assim. O tempo da sua vida foi dividido e organizado de acordo com o propósito de cada época.

Depois de ter escolhido seus discípulos, Jesus poderia tê-los enviado pelo mundo afora para pregar, mas isso só aconteceu depois de 3 anos de ensino e após o recebimento do Espírito Santo.

Existe o risco de fazermos tantas coisas, enquanto deixamos de lado o mais importante; Podemos fazer muito e não ser exatamente o que Deus mandou.

Algumas pessoas trabalham tanto que não acompanham o crescimento dos filhos. Ganham o mundo e perdem a alma.

O excesso de trabalho pode ser normal em algumas ocasiões, por uma questão de necessidade ou responsabilidade. É importante, porém, que tal situação seja de curta duração. Muitas vezes, o ativismo é fruto da ansiedade e da cobiça. Trabalhamos mais para termos mais dinheiro e comprarmos mais coisas.

“Todo o trabalho do homem é para a sua boca; contudo, nunca satisfaz a sua cobiça” (Ec 6.7).

Faça alguma coisa, mas não tente fazer tudo. Trabalhe, descanse, mas cuide também da família e da saúde. Além de trabalhar, é importante crer e esperar.

Alguns precisam trabalhar mais; outros precisam descansar. De vez em quando é necessário interromper o corte das árvores para amolar o machado. Que Deus nos dê discernimento e nos ajude a encontrar o ponto de equilíbrio.

::Pr. Anísio Renato de Andrade

Retirado do Site da Lagoinha | Foto: Internet

Review Overview
User Rating:
0/5
(9 votes)
Written by jubanbrasil

Leave a Reply